Te gosto, você me gosta

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Luck... Please!


Eu odeio isso, mas hoje tô com pena de mim!
Estar de férias é tão bom, né?! Poder dormir tarde, acordar tarde, sair de casa só pra ver a rua, visitar amigos, fazer coisas inúteis, passear, viajar, correr, malhar... Olha quanta coisa boa! Tanta coisa boa que eu não posso fazer. E por quê? Porque eu não estou de férias? Não! Porque eu sou a pessoa mais azarada que você já poderia ter conhecido e dois, eu disse DOIS, dias antes de entrar de férias... quebrei o pé! Mole ou quer mais?
Passar os dias infurnada em casa sem poder fazer absolutamente nada que gaste energia em plenas férias de julho é cruel.
Fora isso, como se não bastassse tanta tragédia, ainda consigo irritar as pessoas e brigar com quem eu definitivamente não queria brigar.
Que férias hein?
Vou enrolar um colar de alho no pescoço e tomar banho de sal grosso.
Talvez pareça pouco, mas pra quem tá sentindo na pele... é demais!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Abrindo a porta

Esse blog foi mesmo feito pra falar de amor, ele ficou tanto tempo esquecido que parece até que esqueci do amor e de como gosto, desde menina, de falar sobre esse tão amoroso assunto.
Tenho guardado junto às minha BOAS quinquilharias - porque das más já me desfiz - folhas e mais folhas de papel muito caprichadas com palavras e mais palavras sobre esse tema que tenho tanto apreço.
Tenho pois, bem ou mal amada, eu AMO. E acho que na vida é isso que importa, amar, ser amada é consequência. Eu amo as pessoas, amo o bem e o mal que existe nelas, amo a vida, seja ela amarga ou doce comigo, afinal de uma ou de outra tiro belas lições.
Hoje bateu vontade de escrever, na verdade, a vontade sempre bate, mas há um bom tempo costumo não abrir a porta pra ela. Acho que com o tempo, com o passar dos anos e da idade acabei perdendo toda aquela desesperada ansia de expressar aos quatro cantos os meus devaneios e pensamentos tolos e sensatos, mas acho senti vontade de ser lida, por quem quer que queira ler, por mim mesma depois de publicada a postagem. Basta, o que importa é expressar-me sempre, não quero deixar de lado um gosto tão belo que alimento desde que aprendi o ABC.
É isso. Consegui. Foi muito mais fácil e rápido do que imaginei. Soltei as palavras sem medo e sem pudor, acho que é assim que deve ser, pra sempre.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Amar demais

O amor muitas e na maioria das vezes gera dependência, comodismo, rotina. Essas palavras ditas assim, nuas e cruas, uma verdade encarada assim, sem meias palavras assusta, mas se parar e pensar não tem por que assustar já que é exatamente assim que é, e quem vive isso nem sempre se incomoda.

Amar demais é um erro, porque é amar demais que te faz depender do outro. Você ama tanto, tanto e tanto que não pensa mais no singular. Tudo o que você faz é pensando em fazer com ele, tudo que você quer é pensando se ele vai gostar, se é a sua cara, mas se é a dele também. Isso não é ruim se for recíproco, mas se não for é triste, bem triste.

Ele é tudo pra você, é seu girassol, você deseja estar com ele o máximo de tempo que puder, mesmo que pareça sufocante, para você não é, porque você ama demais e esse excessivo amor te cega a ponto de você só ver e querer isso.

Até existem momentos em que a luz parece querer iluminar essa cegueira e você tenta se erguer às próprias custas, ser mais individual, independente, auto-suficiente, mas quando se ama demais isso nunca dura tempo suficiente para se tornar concreto e aos braços dele você torna a cair. É uma doença sem cura, um câncer que se instala, com períodos de quimioterapia sem sucesso, ele sempre volta e te faz sofrer um pouquinho.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

"DAR PÉROLAS A PORCOS"


Por: Ribeira em Miramar

Descobri esta ribeira casualmente nas minhas deambulações pelas redondezes de Miramar. Resolvi encetar uma caminhada por uma das suas margens, até porque me pareceu estar preparada como zona pedonal. Não fiquei desiludido. De facto, a ribeira tinha aspecto de ter sido despoluída. As respectivas margens apresentavam-se muito limpas, não existiam plásticos agarrados aos arbustos, os agriões eram verdes e viçosos e até as rãs eram visíveis. Mas a minha admiração não se ficou por aqui. A uma distância razoável do início do meu percurso, (talvez cem metros) entrevi um departamento do ambiente da C. M. de Gaia, em edifício de construção recente. Naquele local ainda mais surpreendido fiquei porque, em pavimento devidamente preparado, encontrava-se um conjunto escultórico, que pelo seu tema e localização, muito admirei. Tratava-se de uns bronzes representando um pescador de “loura” acompanhado de uma criança, regressando da pesca, e munidos dos respectivos apetrechos. Aliás, no recinto existiam mais motivos em pequeno formato, tais como um menino a pescar, uma cegonha, e outros do mesmo material do principal. Aproveitei para fazer umas fotos e continuei o meu passeio admirando a água límpida e a vegetação tão luxuriante.

Meses mais tarde, já em fins de Outono, e porque passava perto, decidi voltar a visitar o sítio, desta feita para fotografar novamente as esculturas, dado que a iluminação era mais favorável do que na vez anterior. Foi uma desilusão completa. As águas límpidas estavam tingidas de vermelho, do grupo de esculturas já faltava uma, a cegonha, que tinha sinais de ter sido partida junto à base. Os funcionários do departamento do ambiente olhavam a ribeira com ar de desiludidos, agarrados aos telemóveis a ligarem não sei para quem. Pareceu-me que estavam a tentar detectar donde vinha a poluição. Em fim, depois de fazer os “bonecos”, vim embora chateado, e pensei logo num amigo meu que perante situações destas costuma dizer; “Fazer algo por este povo, muitas das vezes, é dar pérolas a porcos”.

Obs. Acho que os rios deviam ter o seu nome assinalados em placas, tal como as ruas, para que pudéssemos identificá-los. Assim saberia dizer o nome da referida ribeira.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Clarisse e eu

"Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite - tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E através da piedade aparecia a Ana uma vida cheia de náusea doce, até a boca."





Quantas pessoas não vivem uma vida que para o julgamento do mundo é a vida perfeita? Com cada coisa no seu lugar, tudo sistematicamente correto e como manda o figurino? Muitas, a maioria. Vivem correndo, procurando estar sempre ocupadas para não pensar, não ver, mas um dia, quem sabe, um cego não aparece... Sim, porque as vezes é necessário que coisas banais nos abram os olhos, as vezes só um cego “mascando chicletes” será capaz de nos fazer enxergar certas coisas. Um cego, ele que não vê o mundo externo, diferente da gente, que só isso vemos e vemos muito bem por sinal, mas que não conseguimos enxergar a nós mesmo, as nossas vontades, nossas angústias e medos. Ou quem sabe uma dúzia de ovos caindo no chão? Nosso momento de luz um dia também vai acontecer, só espero que não tenhamos uma escolha tão dura quanto a de Ana para fazer.

Talvez seja esse o motivo de nos sentirmos tão mal quando lemos o Amor da Clarisse, porque o mundo... Está cheio de Anas.